13 de out de 2014

Ela

Ela.

E de repente ela apareceu. Uma mensagem desconhecida em um momento bem conhecido. Curiosidade, solidão e espanto se misturaram em um tornado de emoções. Iniciei um papo leve, investigando esse momento com desconfiança. O que essa linda mulher quer comigo? Ela, fruto de um desejo louco, de uma paixão impossível.
Será isso verdade?
Arrisquei um convite, sem pressa, mas com o coração apertado pela demora na resposta. Uma resposta positiva retornou fazendo tocar um tambor no meu peito, que acelerou muito mais quando soube que dali a dois dias ela viria.
Quando a vi naquela estação, o inverno não era mais inverno, o dia cinza ensolarou. Lindos cabelos vermelhos ao vento, misturados ao laranja outonal que ela trouxe consigo. Um abraço gostoso que durou um século... um simples "Oi" pareceu uma conversa de duas horas. Simples como a chuva e o vento, conversamos, imaginamos, futuramos um sonho em que a felicidade não era o final, mas seria contínua durante toda a vida que levaríamos. Outra semana, um amor mais sólido. Decorei seu cheiro, medi deu cabelo.Sei seus pontos fracos, mas eu é quem estou nas mãos dela. Estou indefeso e gosto disso, confio. Estamos abraçados, trocando coisas que ela me ajudou a recuperar.. coisas que eu havia escondido para nunca mais achar. Me sinto vivo, sinto que posso proteger, sinto que posso amar.
Será isso verdade?
A última semana, aahhh a última semana...   sem comunicação, sem notícias...   círculos dourados a fazem pensar.. colocam sua mente no lugar. O que exigir de alguém que foi muito amada e que foi magoada? Ela lhe deve algo, uma segunda chance, no mínimo gratidão. Sinto seu arrependimento, me sinto deslocado, me sinto só. Não sinto raiva, somente penso nos sonhos compartilhados que viraram pó. Me sinto injustiçado pelas palavras não ditas, pelas dúvidas que não foram compartilhadas. Foi uma desagrádavel surpresa. O tambor ainda bate forte, mas dessa vez em uma marcha quase fúnebre e seguirá assim por um tempo. Uma lembrança, um registro do momento mais feliz ainda reside. Digital, formado de bits sentimentais, ficará marcando para sempre o que eu senti de bom e a não sapiência dos erros que cometi. Me puno imaginando o que fiz de errado ou o que deixei de fazer. Nunca saberei.
Será isso verdade? Infelizmente, sim!


Abs.
Lunga